O essencial é relativo!



Para começar esse nosso bate papo, fiz um exercício gigante. Como eu sei o que é essencial para mim?  Bem, me lembrei então dos tempos que passei no hospital em 2013 e comecei a avaliar. Ali, quando eu precisava lutar pela minha vida, o que era fundamental para mim? Deste exercício vieram algumas respostas muito curiosas.

Eu passei um bom tempo no CTI, naquele local estranho (entendo que também necessário), eu precisava de banho. Implorava para sentir a água correndo no meu corpo. Aquelas banhos de canequinha eram insuficientes para mim. Pedia desesperadamente para escovar meus dentes. Pedia também muito para tomar água, mas uma água fresquinha mesmo. Resumo: eu não queria um colchão macio, não queria um penteado moderno, não queria roupas bonitas, nem o carro do ano. Eu só queria ficar limpinha. Pronto, identificado o que era essencial. 

Quando saí de lá, fui para o quarto, comecei a ter outras necessidades, já que passei a poder tomar banho de chuveiro, podia escovar os dentes quando eu quisesse e já tinha água fresquinha para bochechar (porque eu não podia engolir) à vontade. #ostentação

Comecei então a sonhar com meias felpudas e macias. Eu sentia muito frio nos pés e as meias fofinhas me davam um prazer indescritível. Sonhava com um copo inteiro de suco de laranja natural, com gominhos e tudo mais... Eu delirava tanto que até sentia o cheiro do sumo da laranja.
Mais coisas essenciais naquele momento. Eu também queria sentir o calor do sol e o vento. Ainda me lembro de um dia que caminhei (mentira, fui arrastando mesmo.) até a porta de emergência e a abri, as enfermeiras vieram desesperadas para me acudir, achando que eu ia pular (oi?). Eu só queria sentir o vento e garanto a vocês, foi uma sensação surreal! 

Fui para casa depois de um tempo (mais do que eu gostaria) e as necessidades mudaram mais uma vez. Precisava de roupas confortáveis, que não machucassem ou incomodassem minhas cicatrizes e sondas que ainda existiam. Precisava andar. Queria muito andar, mas meu corpo não respondia o que meu cérebro pedia. Meu cérebro dizia: “Vai filhão, bora dar uma corridinha no quarteirão!” e o corpo respondia: “Brother, vou ali na sala me arrastando e olhe lá!”. Era cômico, ainda que trágico!

Mas, pera! O essencial era diferente no segundo instante! 
É claro! 

Primeiro porque o cenário mudou, e, em segundo lugar, porque as primeiras necessidades já estavam disponíveis e supridas, visto que o acesso a elas era fácil. As demais vieram aos poucos. Mas foram valorizadas uma a uma, porque eu estava ciente de cada uma delas. Isso fez diferença!

Lembro de coisas simples como em uma noite em que minha mãe me buscou e deu uma volta comigo, de carro, em uma lagoa que tem na minha cidade. O carro ia devagar porque qualquer baque ainda me machucava, mas eu fiquei na janela, como aqueles cachorrinhos peludos, só para sentir o vento batendo no meu rosto... Simples, mas eu nunca vou esquecer aquela sensação.



Lembro ainda de uma voltinha que dei no jardim acompanhada pelo olhar e a companhia do Luthor, o cachorro da casa, que, foi atentamente me vigiar na tentativa de fazer uma caminhada mais longa que o trajeto sala-quarto. Senti o sol no corpo todo e o Luthor firme e forte do meu lado fazendo sua cão-minhada. 

O tempo passou, as necessidades claro que aumentaram, mas a diferença foi que eu identifiquei o meu essencial de cada momento e o valorizei. Isso é parte importante da sua vida como minimalista ou ser humano. O que é essencial agora para você. Faça uma lista e se permita identifica-los. A dica é: ele nem sempre é um bem material. Fique mais atento!

Comentários

  1. Nossa, que experiência forte essa sua. Concordo que o essencial muda de acordo com as nossas necessidades, e ai a gente começa a refletir sobre a nossa vida e demais situações em que coisas simples, que nao eram tão valorizadas, passam a ter um significado importantíssimo!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É exatamente isso, Bruna! A reflexão ao menos é algo imensamente positivo. Vale o aprendizado e a dor. Obrigada pela visita! =)

      Excluir
  2. "identifiquei o meu essencial de cada momento e o valorizei"
    <3

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É isso mesmo Andrea. Sem a identificação do essencial a gente não encontra o excesso!
      Obrigada pela visita!
      =)

      Excluir
  3. Lindo relato! Obrigada por compartilhar sua experiência. :)

    ResponderExcluir
  4. Belo post!
    Eu acho mesmo que perdemos muito tempo com (além de valorizar) coisas desnecessárias, mas a sua experiência me fez perceber claramente como nunca iremos saber o que é essencial para outra pessoa, e que o nosso essencial pode não ser igual ao das pessoas próximas. São realidades diferentes. Da mesma forma que os outros não deveriam nos dizer o que valorizar e o que esquecer. É muito relativo mesmo. Obrigada por ter me ajudado a enxergar isso, com o seu relato. Ótima reflexão.
    Beijos.

    (Agora eu vou lá montar minha lista de coisas essenciais!)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É fato, Leli. Perdemos mesmo muito tempo com coisas desnecessárias...
      Obrigada pela visita e pelo comentário. Volte sempre!
      =)

      Excluir
  5. O essencial hoje para mim é uma casa bem grande com um jardim, muito verde, passarinhos cantando pela manhã, o sol batendo na janela, o silêncio (ah o silêncio).

    Na verdade pode descartar a casa grande.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Mude alguns hábitos para ser minimalista

Um desabafo sobre os excessos

A história do Minimalismo